O Castigo no Ensino do Cão
por Cláudia Hoyle
O castigo é utilizado para interromper um comportamento que o cão esteja a executar. Existem dois tipos de castigo, o castigo positivo e o castigo negativo.
O castigo positivo é a forma mais utilizada e a mais comum de castigar. Consiste em adicionar algo desagradável para terminar um comportamento. Ao contrário do que o nome parece indicar, a palavra “positivo” não significa que o castigo é “bom”. Quer dizer, isso sim, que o castigo é adicionado (+) quando o cão está a demonstrar o comportamento indesejado.
Um exemplo será, se o cão puxa na trela e damos um esticão, ele pára de puxar. O castigo positivo foi o puxão que demos na trela, que parou o comportamento de puxar.
O castigo negativo consiste em retirar (-) algo que o cão deseja, para terminar o comportamento que está a demonstrar. O retirar algo agradável ao cão vai fazer com que a frequência do comportamento diminua e eventualmente desapareça.
Um exemplo deste tipo de castigo será, quando brincamos com o cão, se ele começar a abocanhar as nossas mãos, pararmos de brincar. O parar de brincar é o castigo negativo, consequência de o cão ter abocanhado as nossas mãos. A probabilidade de o cão voltar a abocanhar as nossas mãos diminui automaticamente.
Utilização Errada do Castigo Negativo
Um dos exemplos de utilização errada do castigo negativo será: levar o cão ao parque e deixá-lo brincar sem trela, chamar o cão, colocar a trela e ir para casa. Muito em breve, o cão começa a aprender que algo de bom (brincar livremente) está a ser retirado por ele responder à chamada e rapidamente deixa de vir. Decerto que muitas pessoas se identificam com este cenário e este é talvez um dos exemplos mais comuns da utilização errada do castigo negativo.
Uma das formas de evitar este cenário será chamar o cão duas ou três vezes enquanto ele brinca, dar um biscoito ou uma festa quando ele chegar perto de si, e depois deixá-lo ir brincar de novo. Desta forma o seu cão não adivinha quando será a vez que a chamada resulta na ida para casa e nunca deixa de vir.
Utilização Correcta do Castigo Negativo
Uma das formas de utilizar o castigo negativo no treino será, por exemplo, ensinar o cão a deixar de saltar para cima das pessoas. Se o cão salta para cima das pessoas e estas lhe dão mimos, festas e atenção, o comportamento de saltar para cima das pessoas está a ser positivamente reforçado e, como tal, tende a repetir-se. No entanto, se o cão saltar e as pessoas o ignorarem ou saírem da sala, retirando algo de bom (neste caso a atenção, mimos, festas, etc.), o cão rapidamente aprende que saltar para cima das pessoas não resulta e o comportamento tende a diminuir.
O Castigo Positivo
O uso do castigo positivo, como forma de ensino, tem consequências não só na forma como o cão aprende, mas também na relação estabelecida com a sua família ou quem o treina. Um cão submetido ao castigo positivo é um cão cuja capacidade de aprendizagem diminui como consequência do medo e frustração desenvolvidos durante o treino. O facto de o cão estar constantemente na ansiedade de “evitar” o castigo, leva-o a desenvolver sentimentos de medo e, muitas vezes, até de agressão. A relação entre o cão e a sua família será uma relação baseada no medo que o cão desenvolve face às consequências que podem resultar de não fazer o que lhe é pedido. O castigo positivo inibe também a capacidade de o cão demonstrar comportamentos novos, fazendo com que ele “desligue” ou se torne “apático”.
Seguem-se alguns tipos de castigo positivo frequentemente utilizados:
- Esticões na trela
- Uso de coleiras de bicos, de estrangulamento ou de choque
- Atirar coisas ao cão ou na direcção do cão, de forma a causar medo
- Gritar ou fisicamente bater no cão
- Esguichar água ou outros produtos no focinho do cão
- Bater com o jornal no cão
- Esfregar o focinho do cão nas suas fezes ou urina
Bibliografia:
- R. Burch, Mary and Bailey, Jon S. - How Dogs Learn, 1999, Howell Book House
- Braslau-Schneck, Tracy - An Animal Trainer's Introduction To Operant and Classical Conditioning
- Animal Behaviour Answers
- Journal of Veterinary Behaviour, Clinical applications and research
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